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“Não renunciarei”, diz Temer em declaração ao país

Numa breve declaração ao país, na tarde desta quinta-feira (18), o presidente da República, Michel Temer, afirmou que não renunciará e pediu celeridade das investigações no âmbito do inquérito aberto hoje contra ele pelo Supremo Tribunal Federal.

África 21 Digital, com Portugal Digital


Foto: Beto Barata/PR/Arq

“Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos, e exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dúvida não pode persistir por muito tempo”, disse Temer. “Não renunciarei. Repito não renunciarei”, afirmou, enfático.

“No Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos”, disse Temer, numa alusão às denúncias vindas a público sobre o aval que teria dado ao empresário Joesley Batista, patrão do grupo JBS, que disse estar pagar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e do “operador” financeiro Lúcio Funaro, ambos do PMDB.

Na noite de ontem (17), o jornal O Globo divulgou reportagem sobre encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista, em que Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio. Cunha está preso em Curitiba.

Hoje, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin homologou a delação premiada dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo JBS, e abriu inquérito para investigar o presidente Michel Temer.

No  discurso, Temer começou por valorizar o desempenho do seu governo na área econômica, destacando que os indicadores mostravam a saída do país da recessão. a retoma do crescimento e a abertura de postos de trabalho, e advertiu que os fatos ocorridos nas últimas horas poderiam colocar em causa esse processo de recuperação.

Finalmente, ao referir a denúncia de que é alvo, Temer confirmou ter recebido o empresário mas não detalhou que assuntos foram abordados, nem fez qualquer menção ao seu suposto comentário, que teria sido gravado em áudio pelo empresário, indicando a importância de ser dada continuidade ao pagamento da “mesada” a Eduardo Cunha. O presidente afirmou que ao longo da sua vida nada tem a esconder.

“Ouvi, realmente, o relato de um empresário que por ter relações de um ex-deputado [Eduardo Cunha] auxiliava a família dele, mas não solicitei que isto acontecesse e só tive acesso a este fato nesta conversa”, disse.

“Em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado, não comprei o silêncio de ninguém por uma razão singela que não temo nenhuma delação”, afirmou Temer.

Íntegra do pronunciamento do presidente Michel Temer:

“Ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira. E uma declaração ao país.

E, desde logo, ressalto que só falo agora dos fatos de ontem porque tentei conhecer primeiramente o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente ao Supremo Tribunal Federal acesso a esses documentos.

Mas até o presente momento não o consegui.

Quero deixar muito claro dizendo que meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno do crescimento da economia e os dados de geração de empregos criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam no Congresso Nacional.

Ontem, contudo, a revelação de conversas gravadas clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada.

Portanto, todo o imenso esforço de se tirar o país de sua enorme recessão pode se tornar inútil. Nós não podemos jogar no lixo a história tanto trabalho feito em prol do país.

Ouvi realmente o relato de um empresário, que por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e só tive conhecimento deste fato nesta conversa que tive com este empresário.

Repito e ressalto, em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima exata e precisamente porque não tenho relação.

Não preciso de cargo público e nem de foro especial. Nada tenho a esconder. Sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos.

E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizasse o meu nome indevidamente. Por isso, quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com estes fatos.

Não renunciarei. Repito. Não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos.

Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro.

Essa situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a essas investigações.

Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E só este compromisso que me guiará. Muito obrigado e muito boa tarde a todos”.

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Escrito por: África 21 Digital

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