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Uma floresta humanizada

À direita, o PSD e o CDS voam como abutres sobre a desgraça, procurando camuflar as suas responsabilidades e tentar tirar um qualquer proveito partidário sem escrúpulos.


A floresta não é uma mera carta geográfica onde se desenham e onde podem estar, ou não, estas ou aquelas espécies, faixas de contenção, ou outas conforme se entender nos gabinetes, nas cidades ou onde quer que seja.

A nossa floresta é humanizada, tem casas, aldeias, pessoas!

A desertificação humana afectou de facto muito do nosso interior, mas ninguém pense que tudo se resolve evacuando as pessoas ou apoderando-se dos seus terrenos porque supostamente estão abandonados… ou estarão com “matos”… vegetação que também cumpre o seu papel ecológico?

Quando alguns falam em “ordenamento do território” fico sem saber o que exactamente querem e muitas vezes parece mais um chavão do que outra coisa. Porque à partida todos estarão de acordo… mas de acordo, com quê?

Quando atacam e acusam o minifúndio o que desejam é de facto apoderar-se das terras, proceder à concentração da terra… nas mãos de quem?

Quando não têm soluções, saber, capacidade técnica, debitam os dois chavões: ordenamento do território e eliminação do minifúndio.

Mas o minifúndio foi sempre o principal fornecedor de madeira para as diversas indústrias. O minifúndio também promove a biodiversidade, quanto mais não seja porque não gera uniformidade, mesmo em termos de idade dos povoamentos. O mais importante é uma boa gestão dos espaços florestais.

O pequeno proprietário aprendeu a escolher as melhores plantas, a fertilizar o solo, a cuidar.

Também nas zonas do minifúndio é possível fazer limpezas de mato. Não é preciso “limpar” tudo, basta fazer em faixas, criar descontinuidade. O sub-bosque também é essencial para a fauna. Volto a afirmar: é necessário saber, técnica, Engenharia Florestal. E existem engenheiros florestais e boas Universidades e Escolas Superiores/Politécnicos que podem formar novos licenciados ou bacharéis.

Quando se retira o “mato” está também a exportar-se nutrientes que são essenciais para o solo, é preferível integrá-los na terra, com grade de discos, ou corta-matos ou proceder à sua eliminação com fogo controlado.

A utilização de fogo controlado exige saber, mas felizmente hoje já temos técnicos competentes com domínio dessa arte.

Tudo isto pode ser feito, organizado, pelas Associações de Proprietários Florestais. Também é para isso que elas existem.

Os fogos, as notícias e as opiniões

O lixo televisivo não respeita nada, nem ninguém. Não tem um mínimo de consideração pelas pessoas e pelo seu sofrimento. Quer o drama e a tragédia. Não lhes interessa o esclarecimento. Prefere a confusão, o disparate, as frases bombásticas. Choca ver tantos “jornalistas” e “repórteres” sem um mínimo de ética e de sensibilidade.

À direita, o PSD e o CDS voam como abutres sobre a desgraça, procurando camuflar as suas responsabilidades e tentar tirar um qualquer proveito partidário sem escrúpulos.

Ouvir, ler uma análise responsável que tente ser isenta, ter suporte científico ou técnico, não interessa, é maçador.

Infelizmente há muita gente a alinhar nisso, a ir na onda de repetir asneiras, sem parar para pensar. Tanta gente com “opinião”…

Se houver uma epidemia é natural que se ouçam as opiniões dos médicos. Nas florestas não é assim, voltamos ao tempo em que os barbeiros também tiravam dentes, ou os endireitas resolviam problemas de ortopedia.

A ignorância é atrevida, ou, como dizia Einstein, o Universo e a ignorância são infinitos.

Procurarei dar a minha opinião e prosseguir na abordagem serena dos temas sobre a floresta. Espero que seja útil, mas desde já previno que não respondo a provocações.

Hoje, saúdo a aprovação da Lei dos Baldios, com os votos do PCP, PEV, BE e PS. É, pode ser se bem aplicada, muito importante para a reanimação das áreas comunitárias e um contributo para suster a desertificação do interior e das montanhas.

Hoje, termino recordando que os espaços florestais representam 64% do território, contribuem para 3% do PIB e são responsáveis por 12% das nossas exportações. Recordando ainda que prestam múltiplos serviços, como garantir a qualidade da água, proteger o solo, evitar a erosão, fixar o Carbono e muitos outros que não são facilmente contabilizados.

Vasco Paiva, engenheiro florestal

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Escrito por: África 21 Digital

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