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Temer, Temer, Temer!

Num tom belicoso, como o daqueles que vão para guerras voluntariamente – não, é claro, os milhões que para elas são enviados como carne para canhão – , o presidente Michel Temer concluiu o seu pronunciamento ao país a meio da tarde de terça-feira (27), afirmando: “Não fugirei das batalhas. Nem da guerra que temos pela frente”.

Um discurso, num dos salões do Planalto, rodeado dos  que hoje ainda prometem não lhe faltar amanhã, numa espécie de preito de fidelidade medieval, quando tais promessas tinham a virtude de, pelo menos, durarem uma vida e não como hoje em que os que as fazem as esquecem no minuto seguinte, na voragem de uma política sem princípios, sem compromissos, sem programas.

Fiquei na dúvida. A quem se refere o presidente do Brasil quando usa o “temos”, quando diz que não fugirá das “batalhas“,”nem da guerra que temos pela frente”.  Será o plural “majestático” e quis dizer que vai para a guerra sozinho?  Ou esse “temos” será o plural normal, não majestático? Se assim for, o presidente diz que os brasileiros têm pela frente uma guerra. O que é, no mínimo, uma expressão infeliz, que me faz recordar discursos de outros tempos, quando os pretorianos nacionalistas punham e dispunham dos respectivos povos.

Compreendo que o presidente da República esteja zangado, que as palavras se lhe soltem atropeladas da boca, que pareçam dizer o que não queria, que assumam formas indesejadas. Afinal, Michel Temer atravessa o calvário que, acredito, não desejou.

Pior que Dilma não seria. Concordo. Também eu pensei que seria muito difícil Temer superar os desmandos da ex-presidente. Mas, a realidade não se traça a compasso e esquadro. E Temer parece estar a conseguir o feito. É a dialética, meus amigos. A dialética que nos move.

Tal como Dilma – a senhora que nada sabia dos “malfeitos” no seu governo, no governo do compadre político, nas estatais, na Petrobras -, também Temer recusa renunciar a um poder que, na Constituição brasileira e, afinal, em todas elas ou em quase todas, suponho, pertence ao povo.

No tom arrogante que lhe é peculiar, o presidente tem repetido que não renunciará. Assim sendo, dando crédito à sua palavra, e admitindo que consiga reunir na Câmara dos Deputados o número de parlamentares suficientes para impedirem que a acusação de corrupção que lhe foi feita pela Procuradoria Geral da República vá a julgamento no Supremo Tribunal Federal, teremos pela frente mais ou menos dezoito meses de Temer e seus correlegionários.

E como seriam esses dezoito meses? De recuperação da economia, de redução real do desemprego (14 milhões são os números oficiais…talvez sejam mais), de desenvolvimento das infraestruturas, de avanço tecnológico, de investimento sério no ensino público, de reforma das polícias, de reforma do sistema político e partidário, de reforma do sistema de saúde pública, de combate à violência ( e combate à violência não é matar bandidos, acho eu)? Se assim fosse, não seria nada mau! Mas não, nada disso. A bandeira reformista, pelo que já se viu, não se preocupa com o equilíbrio da balança.

A grande maioria das medidas adotadas pelo seu governo e pela maioria parlamentar que lhe dá sustentação política visam satisfazer interesses de setores do grande empresariado, de investidores ou de grupos corporativistas. As reformas, a modernização do Brasil, em quase todas as áreas, são necessárias. Mas não na forma, nem no conteúdo, que o presidente e os seus aliados querem impor.

O presidente disse-o hoje: “Não fugirei das batalhas. Nem da guerra que temos pela frente”. É o que o presidente da República tem a prometer ao país. Dirão os amigos do presidente que foi apenas uma figura de retórica. Uma imagem, digamos. Bem, a brincar, a brincar…não sei se me entenderam.

Mas,  afinal, com quem vai o presidente guerrear? Com o país? Não posso acreditar. De acordo com a última pesquisa DataFolha, divulgada dia 24,  a popularidade do presidente da República está pelas ruas da amargura.  É que 69% dos brasileiros avaliam o governo como “ruim/péssimo”. Isso mesmo!

É verdade que Temer tem afirmado publicamente, em discursos, em entrevistas, em declarações, com grande à vontade, que se está borrifando para a popularidade. Mas, convenhamos, guerrear com o país parece um gesto desesperado. Talvez o presidente, pessoa experiente, letrada, repense e devolva ao país a esperança de construir um Brasil mais ético, mais democrático, mais desenvolvido e mais justo.

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