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Ter esperança em Angola

No dia em que escrevo o presente artigo realizam-se eleições para a Assembleia Nacional e para o Presidente e Vice-Presidente de Angola. O processo foi desencadeado pela saída voluntária de cena de José Eduardo dos Santos da Presidência da República e que há trinta e oito anos ocupa o cargo.

A circunstância de ir cessar funções por ato próprio é muito positivo e isso não é corrente em África. A transição que agora se vai operar irá, inevitavelmente, envolver mudanças políticas. Estas decorrem do facto da situação do país impor agora uma séria diversificação da economia. O orçamento do Estado, há três anos, assentava nas receitas do petróleo e este desceu agora para um terço do seu valor. A isto acresce o peso muito significativo de eleitores jovens, inscritos nos cadernos eleitorais, que vão votar pela primeira vez e são, por natureza, sensíveis à necessidade de mudanças.

Mudar pode não significar alteração do quadro partidário do vencedor. E pode não significar, como penso, porque sendo certo que existe um sentimento de mudança, ele é sobretudo de exigência de mudanças políticas.

Os angolanos desejam-nas pelas graves desigualdades existentes, excessiva concentração de riqueza, parte dela acumulada com suspeições de corrupção e indicadores sociais inaceitáveis.

As mudanças de política não parecem envolver alterações nos resultados eleitorais, quanto ao partido que terá mais votos, no caso o MPLA. Pela simples razão que a transição não parece poder deixar de se realizar num quadro que não seja de estabilidade, excluindo riscos de incerteza. Essa é a vontade dos eleitores como os estudos de opinião evidenciam.

Neste quadro, o que estará em causa é a percentagem da vitória do MPLA e ainda a do partido que ficará em segundo lugar face ao crescimento que a CASA-CE, um partido que resultou de uma cisão da UNITA, dirigida por Abel Chivukuvuku. Daí a dúvida sobre um ou outro. No mais, não serão fáceis no futuro as tarefas do novo Presidente, que terá de saber responder à crise económica e ainda às mudanças políticas impostas pela realidade e desejadas pela maioria dos eleitores.

Seja como for, tenho esperança em Angola e nos angolanos.

Vítor Ramalho é secretário geral da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e dirigente do Partido Socialista português

Último Comentário

  • O que o Vitor Ramalho espelha e disserta sobre as eleicoes e a incontornavel vitoria do EME e precisamente o que norteia a minha maneira de estar no momento atual. A organizacao a forca e a profunda ligacao do povo ao EmE so previa isso. Agora mudancas sao necessarias para se edificar o edifico onde a democracia tenha verdadeiro assento e os interesses da Nacao Angola esteja acima de outros. Viva Angola rumo ao futuro que ja chegou.

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