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O Brasil é muito grande!

A um ano das eleições legislativas e presidenciais, o ruído político em Brasília aumenta de intensidade. Os jogos de bastidores saltam dos corredores palacianos para as páginas dos jornais e para as telas das televisões e computadores com velocidade surpreendente. Informação e contrainformação abraçam-se em jogos de sombras, de fronteiras invisíveis. 2018 será um ano de surpresas? Boas ou más? A luta pela democracia voltará às ruas?


Temer – no seu jeito saltitão, emproado, candidato ao Guinness pelo recorde de impopularidade de que é detentor – mexe os pauzinhos, como sabe e quanto pode, na luta pela sobrevivência política e cívica. Esqueçam as promessas de que não será candidato. São histórias da menina “carochinha”. Só não o será se, de todo, não obtiver o apoio dos políticos venais que o rodeiam, dentro e fora do governo.

Nas últimas semanas conseguiu suspender os processos que contra ele correm no Supremo Tribunal Federal, por corrupção, obstrução de justiça, organização criminosa e o que ainda possa vir mais adiante.

O apoio dos seus aliados conjunturais, sentados nas confortáveis e protetoras cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado – muitos deles também a braços com a Justiça, por suspeita de crimes idênticos –, foi fundamental. Até maio de 2018, vários ministros abandonarão a Esplanada dos Ministérios para poderem concorrer às eleições. Assim estabelece a Constituição. Temer precisa reformar o governo, mas, para isso, tem que pagar o prometido aos partidos aliados que possibilitaram a suspensão dos processos judiciais, não autorizando que o Supremo prosseguisse os trâmites.

Aliviado pela suspensão dos processos – que dura até o dia em que permaneça no Palácio do Planalto -,  o presidente entrou numa campanha desenfreada de marketing. Quem o ouvir falar receia que tenha sido acometido por alguma doença, daquelas que nos podem esgotar o raciocínio, tal o abismo entre o quadro do país que pinta e a realidade de crises com que nos confrontamos todos os dias.

O Brasil, a acreditar no inquilino do Planalto, está de ótima saúde. A recessão é coisa do passado. O país está num ciclo virtuoso de crescimento. Falar do desemprego é coisa dos adversários. Os seus seguidores, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, bostoniano dos sete costados, especialista em bancos, devoto do liberalismo, amigo de Lula e de Dilma (já foi…já foi…), surfa na onda de Temer. De quando em quando suplanta o presidente em otimismo. Há poucos dias disse, sem titubear, que os brasileiros irão ter “o melhor Natal de sempre”.

No início desta semana, uma criança, de uma escola pública da periferia de Brasília, desmaiou. As professoras chamaram a ambulância. O socorrista confirmou o que se deixava adivinhar: a criança estava com fome. Fome na cidade que tem o maior rendimento per capita do Brasil,   quase o dobro de São Paulo, graças aos salários de marajá dos detentores dos poderes e da máquina político-burocrática que os sustenta.

No Rio de Janeiro, são muitos os casos de professores, técnicos, funcionários administrativos que estão a passar graves necessidades. O ex-governador Sérgio Cabral está preso, mas os sucessores continuam a discursar. A proeza foi o tanto que uma élite despudorada conseguiu roubar.  Uma élite que contou com a complacência coletiva. Roubaram tanto que o estado faliu.  Os investigadores dizem que tudo continua.

Wilson, pode ser o nome da criança que desmaiou na escola de Brasília, não entra nas estatísticas de Temer, nem das de Meirelles – cujo sonho confessado é ser presidente do Brasil. Nem Wilson, nem os milhões de desempregados herdados das estripulias de Lula e Dilma. E agora da sanha pseudo-reformista de Temer. A existência dos wilsons é apagada todos os dias.

A luta contra a corrupção parece ter perdido ímpeto. Não morreu, mas esmoreceu. Agora é travada nos gabinetes palacianos, nos corredores da Justiça, em restaurantes reservados, na borda de alguma piscina.  Os juízes são de carne e osso, ora, pois! Não são imunes aos males da nação. O povo das ruas, que saiu às ruas mas que não se revê nos partidos manchados pela corrupção e pelo banditismo, sem líderes honestos, recolheu-se ao aconchego possível dos lares. A classe média, nos seus mais diversos segmentos, mais ou menos endinheirados, mais ou menos empobrecidos, vai assistindo de camarote, comendo pipocas e bebendo chopps bem geladinhos.

Nesse silêncio de paz podre, em que os donos disto tudo continuam a ser os donos disto tudo, os perigos para a democracia são reais.  Os bolsonaros da vida espreitam oportunidades. Mas, nada é definitivamente estático. Talvez o país esteja apenas em compasso de espera. E um novo ímpeto democrático, constitucional, surja das ruas. Dos palácios não virá, certamente. Sosseguem os mais descrentes: o Brasil é muito grande. Muito maior que a Esplanada dos Ministérios.

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Escrito por: África 21 Digital

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