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Moeda angolana em queda acentuada face ao euro e ao dólar

A moeda angolana, o kwanza, fechou terça-feira (9) com uma depreciação total de 16% face ao euro, passando a moeda europeia a ser a referência para o mercado de câmbios de Angola, no âmbito do novo regime flutuante cambial em vigor.


África 21 Digital com Lusa


                                                                                                                                                                                     Foto:Bancos de Angola

De acordo com a informação final do leilão de divisas realizado hoje pelo BNA, divulgado pelo banco central, foi colocado o montante de 83,6 milhões de euros em divisas, “montante integralmente absorvido” pelos bancos comerciais que participaram, tendo sido apurada uma taxa média ponderada de venda de 221,26 kwanzas por cada euro, depreciando praticamente 16%, segundo cálculos feitos pela Lusa.

No final do dia de hoje, e já com os efeitos da indexação do kwanza angolano ao euro, a cotação oficial apurada pelo BNA para comprar um dólar norte-americano ficou-se nos 185,5 kwanzas, o que por sua vez representa uma depreciação de mais de 10% para a cotação oficial de segunda-feira, de acordo com o cálculo feito pela Lusa.

No sentido contrário, o euro valorizou 19% e o dólar norte-americano quase 12%, face ao kwanza angolana, respetivamente.

Trata-se da primeira desvalorização real da moeda angolana em quase dois anos e que resultou do novo regime flutuante cambial em vigor, aplicado quando as Reservas Internacionais Líquidas do país estão em mínimos históricos, de 15.000 milhões de dólares, devido à crise da cotação do petróleo.

O leilão realizado hoje pelo BNA permitiu alocar grande parte das divisas vendidas aos bancos comerciais para a aquisição de matéria-prima, peças e equipamentos fabril (50%), ainda para pagamento de seguros, telecomunicações, transportes aéreos (20%), para os setores da agricultura, agropecuária, pescas e mar (17%), compra de artigos de higiene, limpeza, material escolar e de escritório (10%) e para vestuário, calçado, artigos e utensílios domésticos (3%).

A Lusa noticiou a 04 de janeiro que os preços indicativos propostos pelos bancos comerciais angolanos vão passar a definir o novo regime flutuante cambial no país, conforme informação do banco central, que já definiu o intervalo de cotação deste modelo.

Em reunião extraordinária do Comité de Política Monetária (CPM) do BNA, realizada no mesmo dia, em Luanda, aquele órgão definiu “os limites mínimo e máximo da banda cambial” deste novo modelo, refere o comunicado final da sessão, a que a Lusa teve acesso, mas sem concretizar os valores.

Desde o primeiro trimestre de 2016 que a taxa de câmbio oficial definida pelo BNA estava fixa nos 166 kwanzas por cada dólar norte-americano e nos 186 kwanzas por cada euro.

Contudo, face à falta de divisas aos balcões dos bancos comerciais, o mercado de rua, que para muitos constitui a única alternativa para aceder a moeda estrangeira, desde as eleições gerais de agosto que antecipa uma desvalorização oficial da moeda angolana, transacionando atualmente cada dólar a 430 kwanzas e cada euro a 510 kwanzas.

No comunicado libertado no final da reunião do CPM é explicado que o regime cambial que vigorou até à presente data consistia numa taxa de câmbio “administrada”, determinada pelo BNA, “independentemente da relação entre a procura e a oferta”.

“Doravante, o Banco Nacional de Angola adota um regime cambial caracterizado pela flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo, com um limite máximo e um limite mínimo. Esse intervalo é denominado de banda cambial”, acrescenta.

Embora sem concretizar valores dos limites à taxa de câmbio flutuante, o BNA explicou que passará a organizar leilões de compra e venda de moeda estrangeira, nos quais os participantes, caso dos bancos comerciais, indicarão o preço (taxa de câmbio) para a compra ou venda de moeda estrangeira.

“A média ponderada dessas transações será publicada no portal institucional do BNA, como a taxa de câmbio de referência. Ou seja, doravante, a taxa de câmbio passa a ser determinada pelas transações que ocorrem, em leilão, no mercado primário”, explica ainda.

Após fazer uma “análise do comportamento dos fundamentos macroeconómicos da economia angolana” e da “tendência decrescente das reservas internacionais”, além de ter “presente o atual desequilíbrio entre a oferta e procura de divisas”, o CPM “definiu limites máximo e mínimo da banda cambial”.

O governador do banco central angolano disse anteriormente que a moeda angolana não vai ser desvalorizada por ação do Governo, mas deverá sofrer uma depreciação face a outras moedas, consequência do novo regime cambial, que passa da taxa fixa para flutuante.

“Quando falamos em desvalorização regra geral referimo-nos a uma intervenção administrativa da alteração da taxa de câmbio, forçando a perda do poder de compra da nossa moeda em relação a outras moedas, o que estamos a dizer é que não vamos ter desvalorização, mas deveremos ter uma depreciação”, disse José de Lima Massano.

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Escrito por: África 21 Digital

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