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São Tomé e Príncipe: cresce tensão política entre governo Trovoada e oposição

Deputados da oposição são-tomense boicotaram hoje a nomeação de novos juízes para o Tribunal Constitucional (TC), em protesto contra a presença policial no parlamento, pedida pelo Governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada devido aos ânimos exaltados.


 África 21 Digital com Lusa

                                                                                                                                                                      Foto:RFI/Arq
No período antes da ordem do dia, os ânimos exaltaram-se devido à troca de acusações entre os deputados da oposição, que acusaram o Primeiro-ministro, Patrice Trovoada, de ser “um ditador” e de querer “transformar São Tomé e Príncipe no seu feudo”.

Por seu turno, o chefe do Governo havia acusado a oposição de querer “criar instabilidade e conflito no país” ao ter convocado a manifestação de protesto contra o executivo, na terça-feira.

A oposição, que conseguiu reunir cerca de três mil pessoas na manifestação, contestou o que classifica de “excessos de autoritarismo, abuso de poder e frequentes violações da Constituição da República”, numa referência à recente decisão do chefe de Estado
de promulgar a lei orgânica que cria o Tribunal Constitucional, quando o diploma se encontra no Supremo Tribunal para fiscalização de constitucionalidade.

Na troca de acusações, Gaudêncio Costa, deputado da oposição, acusou o chefe do Governo de criar “uma milícia que o protege, com uma capacidade bélica superior à das forças armadas”.

Com uma posição mais radical, o líder da bancada do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe — Partido Social-Democrata (MLSTP — PSD), Jorge Amado, acusou o Governo de ter “mandado sitiar” o parlamento com a presença da polícia, e referiu: “Estou disposto a morrer, mas esse tribunal não será constituído”.

Por seu lado, Delfim Neves, da bancada do Partido da Convergência Democrática (PCD), acusou o Primeiro-ministro de “falta de respeito” para com o presidente do Supremo Tribunal e com a Constituição e de “mandar e desmandar” no Presidente da República. “Isso tem que acabar, este país não é dele”, disse.

Fora do Palácio dos Congressos, na capital são-tomense, onde decorria a sessão parlamentar, um grupo de cerca de três dezenas de pessoas protestava contra a criação do tribunal.

Depois da primeira interrupção, a sessão parlamentar ainda continuou, mas, devido à tensão que ainda persistia entre oposição e Governo, o presidente do parlamento, José da Graça Diogo suspendeu novamente os trabalhos, alegando “falta de condições para continuar a sessão”.

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Escrito por: África 21 Digital

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