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Lula lá e cá

Talvez o futuro próximo de Lula se decida nesta quarta-feira, dia 24, em Porto Alegre, quando três desembargadores do Tribunal Regional Federal, de segunda instância, chegarem, ou não, a um veredicto sobre o recurso apresentado pelo ex-presidente e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), condenado em primeira instância, pelo juiz Sérgio Moro, a nove anos e seis meses de prisão, por crimes de corrupção.

Lula clama inocência. Os procuradores do Ministério Público reafirmam acusações e consideram que a pena aplicada por Moro até foi branda. Milhões de brasileiros, que se sentem traídos, não querem ouvir falar de Lula; muitos outros, os cínicos, dizem que o ex-presidente fez o que todos os políticos fazem; e outros aproveitam para brandir bandeiras de caça às bruxas, em nome da família, da pátria, da moral ( a deles) e da autoridade, pois claro!

Se o ex-líder sindical – lançado na política no ABC paulista, nos estertores da ditadura militar, afagado pela Igreja católica e por setores progressistas, mas também com a complacência de generais que receavam eventual crescimento de uma esquerda comunista – sujou, mais ou menos, as próprias mãos nos esquemas de corrupção homérica criados durante os seus governos caberá aos tribunais definir. É assim nos chamados estados de direito.

Lula, que ao longo da sua vida política repetidas vezes rejeitou, em declarações públicas, ser da “esquerda”, mudou de discurso nos últimos três anos, quando percebeu que as investigações da Lava Jato o poderiam levar à cadeia. E passou a procurar recuperar apoios dos setores de esquerda que não se deixaram cooptar pelas facilidades do aventureirismo petista, um misto de social-democracia latino-americana e de populismo oportunista.

A fuga em frente parece ser agora a sua bandeira. Com o apoio de um estado-maior de seguidores – muitos deles devedores de benesses distribuídos profusamente durante os seus governos e os da sua sucessora, Dilma, ou com contas a prestar à Justiça –  Lula tenta chantagear o país, sujeito às políticas  de um governo comandado por figuras suspeitas de centenas de crimes de colarinho branco. Ou eu ou o caos da direita, brada…

É neste cenário que Lula descobriu o que aparenta ver como uma tábua de salvação: a  candidatura presidencial. Um caminho para protelar condenações, suspender processos, e tempo para arregimentar apoios, com a verborragia populista que, parece acreditar, seria ainda capaz de atrair as camadas menos avisadas do eleitorado.

Essa é a aposta de Lula. Mas o ex-presidente sabe que a sua candidatura, ainda que a pudesse levar até ao fim, dificilmente seria vitoriosa. A mania que tem de atirar as responsabilidades dos próprios erros para cima dos outros, até da própria defunta,  é mal vista pelo cidadão comum, que acredita em valores como honradez, ética, princípios.

Mesmo que conseguisse driblar os obstáculos judiciais, como a provável condenação em segunda instância e a lei da “ficha limpa”, que o impedem de se candidatar, só por milagre Lula conseguiria voltar ao Palácio do Planalto.

Mas o drama do Brasil não se chama apenas Lula. O drama vai muito além de um ex-presidente que traiu as promessas de esperança com que se elegeu. O Brasil vive o drama de um país sequestrado por um governo que, graças aos apoios dos setores mais conservadores e reacionários do Congresso,  tudo faz para tentar aniquilar conquistas e direitos dos trabalhadores, que esbulha as classes médias e que não poupa esforços para solapar o combate à corrupção. Foi esse o governo – o governo Temer – a que o Brasil chegou, não pelos equívocos dos eleitores, que sempre podem acontecer, mas pelos erros e desmandos de uma cúpula partidária e seus aliados que não olhou a meios para se manter no poder.

O desfecho do julgamento de Lula é apenas mais uma etapa na intensa luta política que o país vive e que se deverá agudizar nos próximos tempos. A “velha política” brasileira, que ainda comanda o país, dos lulas, dos temeres ou dos sarneys, está inevitavelmente enfraquecida e condenada. É uma questão de tempo.

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Escrito por: África 21 Digital

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