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BPI mantém intenção de reduzir operação em Angola

O presidente do banco português, o espanhol Pablo Forero, disse que o BPI pode vender parte da sua posição no BFA se este abrir o capital este ano, como admite a empresária Isabel dos Santos.


África 21 Digital com Lusa


O presidente executivo do BPI reiterou esta terça-feira que o banco quer reduzir a participação no angolano BFA, como exige o Banco Central Europeu (BCE), e admitiu vender parte das ações numa eventual operação em bolsa.

“Temos uma recomendação do BCE para reduzir a participação, a intenção é reduzir (…). Não diz [o BCE] até que número [a participação deve ser reduzida], diz que deve ser inferior a 48%”, afirmou Pablo Forero aos jornalistas, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2017, em Lisboa.

Contudo, o responsável recusou indicar uma data para quando isso poderá acontecer, referindo que Frankfurt será compreensivo: “Eles sabem que não é uma coisa que pode ser feita facilmente”.

Já sobre a intenção manifestada pela empresária Isabel dos Santos de abrir o capital do BFA ainda em 2018, através de uma operação em bolsa, Forero disse que, a acontecer, o BPI poderá aproveitar para vender parte da sua participação no banco angolano.

“Se houver a operação de IPO [Oferta Pública Inicial, em português], vemos com bons olhos essa possibilidade, vemos com interesse a possibilidade de vender parte das nossas ações nessa operação”, afirmou.

Em dezembro, Isabel dos Santos disse em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg que pretende a entrada de novos acionistas no BFA.

A filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, detalhou que poderá haver a venda de 25% do capital do BFA através de uma oferta de ações (IPO – Initial Public Offering, em inglês) a ocorrer em bolsa no primeiro trimestre de 2018.

O BFA é, desde início de 2017, controlado pela Unitel, a maior operadora de telecomunicações de Angola, onde Isabel dos Santos tem 25% do capital.

Antes disso, até janeiro de 2017, o BFA (fundado pelo BPI em Angola na década de 1990) era controlado pelo BPI.

Contudo, em janeiro de 2017 o BPI cumpriu uma exigência do BCE e reduziu a operação em Angola, através da venda de 2% da sua participação à Unitel (por 28 milhões de euros).

O BFA é desde então, controlado pela Unitel, com 51,9%, tendo o BPI 48,1%.

Lucros caíram de 313 para 10 milhões de euros

O BPI divulgou que teve lucros de 10,2 milhões de euros em 2017, abaixo dos 313,2 milhões de euros registados em 2016 devido sobretudo aos impactos negativos da redução da operação em Angola.

Com a redução da participação financeira do BPI no BFA, o banco teve de fazer uma alteração da contabilização dos resultados do BFA, com impactos negativos de 212 milhões de euros em 2017.

A isto somam-se mais 107,4 milhões negativos de “impactos extraordinários na atividade em Angola no 4.º trimestre” que, segundo o banco, incluem 69 milhões de euros decorrentes da “classificação de Angola como economia de elevada inflação pelas empresas internacionais de auditoria e consequente efeito no reconhecimento contabilístico da participação no BFA de acordo com as IAS 29”.

Assim, apenas o BFA teve um impacto negativo de 319,4 milhões de euros no BPI em 2017.

Atualmente, o BPI é controlado pelo grupo espanhol CaixaBank (em mais de 80%), após uma Oferta Pública de Aquisição (OPA). Na operação, a ‘holding’ angolana Santoro, de Isabel dos Santos, vendeu a participação de 18% que tinha no BPI por 300 milhões de euros.

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Escrito por: África 21 Digital

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