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Grupo Quantum Global afastado da gestão do Fundo Soberano de Angola

A nova administração do Fundo Soberano de Angola (FSDEA) afastou o Grupo Quantum Global (GQG) da gestão dos seus investimentos, anunciou o grupo liderado pelo empresário suíço-angolano Jean-Claude Bastos de Morais.


África 21 Digital com Panapress


Foto: Fernanda Carvalho / Fotos Públicas

Numa nota citada pela imprensa angolana, o GQG esclarece que a decisão de pôr fim aos seus mandados no FSDEA se deve “às mudanças de prioridades em Angola”.

A recém-nomeada administração do FSDEA notificou a Quantum Global Investment Management Ltd, em fevereiro de 2018, do “seu propósito de cancelar o mandato de classe de ativos múltiplos”, precisa o documento sem quantificar.

Segundo a mesma nota, as razões que levaram à rescisão do contrato “não estavam relacionadas com o desempenho da carteira de investimentos, que aumentou em valor e gerou retornos fortes acima do benchmark, durante o período de gestão da Quantum”.

Face ao cancelamento do contrato, acrescenta, a Quantum Global deixou de administrar os fundos do FSDEA, mas “está orgulhosa do trabalho que desenvolveu para o FSDEA no mandato de classe de ativos múltiplos”.

A Quantum esclarece todavia que, apesar desse afastamento, os seus mandatos de “private equity” gerenciados pelas suas operações baseadas nas ilhas Maurícias “continuam em vigor”.

“A Quantum Global orgulha-se do desempenho que está a realizar nos seus mandatos de ‘private equity’ em representação do FSDEA, cujos resultados são divulgados publicamente pelo Fundo nas suas demonstrações financeiras auditadas”, realça o grupo empresarial.

O contrato em causa foi celebrado com a anterior administração do FSDEA, presidida por José Filomeno dos Santos “Zénu”, filho do ex-chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos.

A 10 de janeiro, o novo Presidente da República, João Lourenço, exonerou José Filomeno dos Santos do cargo de presidente do Conselho de Administração do FSDEA, que assume ativos do Estado angolano de cerca de cinco biliões de dólares americanos, dos quais mais de metade geridos diretamente pela Quantum Global.

A rescisão do contrato surge pouco depois do anúncio de uma ordem do Supremo Tribunal das ilhas Maurícias para congelar 58 contas bancárias de Jean-Claude Bastos suspeitas de estarem associadas a um desvio de milhões de dólares americanos do FSDEA.

Segundo a imprensa maurícia, as contas congeladas até agora totalizam 297 milhões de dólares americanos que estariam ligados a fraudes orquestradas contra o Estado angolano através do seu fundo soberano durante a gestão de José Filomeno dos Santos, nomeado no cargo pelo seu pai.

As contas foram congeladas a pedido da Comissão dos Serviços Financeiros (CSF), depois de preocupações manifestadas neste sentido pelas autoridades angolanas.

O processo teria sido desencadeado em janeiro deste ano pela CSF, órgão regulador  do setor não bancário do país, na sequência das suspeitas expostas pelos Paradise Papers, num escândalo global de fuga a impostos por celebridades e proprietários de grandes fortunas.

Um representante do Governo angolano esteve este mês nas Maurícias, onde manteve um encontro com o primeiro-ministro Pravind Jugnauth a quem informou que teria na sua posse documentos “comprometedores” sobre as atividades de Jean-Claude Bastos de Morais.

Depois desse encontro, o Governo angolano anunciou ter antes intentado junto de um tribunal em Londres, no Reino Unido, “uma ação judicial de congelamento mundial dos ativos” contra as entidades envolvidas numa operação de transferência ilícita de 500 milhões de dólares americanos, entretanto já recuperados e devolvidos ao Banco Nacional de Angola (BNA, central).

Jean-Claude Bastos de Morais é também apontando como tendo-se beneficiado igualmente dessa transferência suspeita de 500 milhões de dólares ordenada por José Eduardo dos Santos, pouco antes de deixar o poder, em outubro de 2017, e por iniciativa do seu filho Zénu.

O empresário suíço-angolano é acusado de ter faturado milhões de dólares americanos com dinheiros públicos angolanos, desviados por via do Fundo Soberano, num esquema exposto, em novembro passado, pelo jornal suíço Le Matin Dimanche, citando as revelações dos Paradise Papers.

De acordo com tais revelações, Jean-Claude Bastos de Morais teria encaixado, num único ano (2014), cerca de 120 milhões de dólares americanos por alegada prestação de serviços de consultoria ao FSDEA.

A partir de 2015, o empresário “passou a receber” entre 60 e 70 milhões de dólares americanos anuais pela gestão de sete fundos de investimento criados nas ilhas Maurícias pela Quantum Global, com três biliões de dólares americanos do Fundo Soberano de Angola.

A estes ganhos diretos, decorrentes de honorários pagos pelo Fundo Soberano de Angola, Bastos de Morais teria juntado dividendos de investimentos viabilizados pelo FSDEA.

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