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O candidato?

O assunto da semana política no Brasil foi, e ainda deve permanecer por bastante tempo, o surgimento de um novo protagonista na disputa pelo Palácio do Planalto.  O potencial candidato à eleição presidencial, cujo primeiro turno será dia 7 de outubro, nasceu em família humilde de Paracatu, município a cerca de 200 quilômetros de Brasília, à beira da rodovia que liga a capital federal a Belo Horizonte.


Doutorado em direito pela Sorbonne, ele foi o primeiro negro a chegar ao Supremo Tribunal Federal, do qual se aposentou. Dele não há notícia de envolvimento em qualquer escândalo de corrupção, pelo menos até ao momento…

O novo protagonista ou, pelo menos, potencial protagonista, chama-se Joaquim Barbosa. Filiou-se há dias ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e foi apresentado como candidato à Presidência do país. Uma candidatura que o próprio ainda não confirmou.

Quarta-feira à noite, ao visitar a sede do PSB, em Brasília, Joaquim Barbosa disse que ainda tem muito tempo pela frente antes de tomar uma decisão. Na realidade, não é tanto tempo assim. Até 5 de agosto, de acordo com a legislação eleitoral, terá de dizer se sim ou se não…

Mas, Barbosa deverá tomar uma decisão até finais de junho. A legislação estipula que a partir do dia 5 de julho os candidatos podem dar início à campanha intrapartidária para indicar o seu nome como o candidato do partido ou coligação, não sendo ainda, no entanto, permitido o uso de rádio, televisão ou outdoor.

A confirmar-se a candidatura, o antigo ministro do Supremo, que ganhou projeção nacional em 2012, quando do julgamento do processo do mensalão – escândalo político de grande repercussão, envolvendo o governo de Lula e vários dos seus principais ministros na compra do voto de parlamentares para aprovação de projetos políticos de interesse do PT – será mais um entre os potenciais candidatos que somam, por agora, quase duas dezenas.

Entre os postulantes, o eleitor pode encontrar de tudo, desde figuras conhecidas da velha política brasileira, habituados ao fisiologismo, à troca de favores inescrupulosos, às negociatas por baixo dos panos, conhecedores  e praticantes dos caminhos e dos desvãos da corrupção, a alguns, poucos, a quem não são conhecidos malfeitos merecedores de condenação na barra dos tribunais ou, mesmo, de reparo público.

Os posicionamentos ideológicos são diversos como o país, desde “cruzados” da direita reacionária,  como é o caso do ex-capitão Bolsonaro, que, aliás, não está sozinho nesta área, a candidatos que levantam as bandeiras do centrismo político – a velha tática de que a virtude está no meio -, como pretendem o atual presidente da Câmara dos Deputados, o liberal Rodrigo Maia, do DEM, ou Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, do PSDB, também sob suspeita de irregularidades e de eventuais crimes de corrupção, a candidatos mais identificados com bandeiras do progresso e das esquerdas, nas suas mais diversas vertentes, como a ex-senadora e ex-ministra petista Marina Silva, fundadora do partido Rede, e, agora, Joaquim Barbosa. Ambos com perfis políticos bastante diferenciados, mas cuja capacidade de articulação de entendimentos e de conduzir o país são uma incógnita. Aliás, como quase todos os outros.

A estes pode se juntar, num cantinho de uma esquerda de mecha curta, mistura de catolicismo, algum trotsquismo e muito voluntarismo, Boulos, o candidato do Psol, líder do Movimento dos Sem Teto, de São Paulo.

Boulos e Manuela D´Avila, candidata do PC do B, navegam por entre os destroços, de olhos postos em cerca de trinta milhões de eleitores do PT, desamparados após a condenação de Lula, por corrupção e lavagem de dinheiro.  Ambos vislumbram a possibilidade de captar os votos de militantes e eleitores petistas desencantados com a gritaria politicamente desastrada do grupo liderado pela senadora Gleisi Hoffmann, também a braços com a Justiça,  a quem Lula parece ter deixado procuração para manter viva a chama da sua vitimização.

Na conjuntura de crise, política, econômica e institucional, em que o país se encontra, é ainda relevante o papel titubeante do atual presidente da República, Michel Temer, do MDB.

Ao fim de dois anos no Palácio do Planalto, sob suspeita de crimes de corrupção, Temer, cuja impopularidade é recorde entre os vários presidentes desde o fim da ditadura militar ( mais de 70 por cento dos inquiridos na generalidade das pesquisas de opinião consideram o governo ruim ou péssimo), vive numa constante hesitação entre a candidatura, condenada ao fracasso à partida, na opinião da generalidade dos comentadores, e a desistência de uma disputa para a qual parece não  contar com apoios.

Em posição idêntica, de baixa popularidade, parece estar o ex-ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, filiado recentemente ao MDB, que se manifestou disponível para disputar a Presidência, caso Temer opte por não avançar.

Afinal, Joaquim Barbosa parece ter razão quando diz que ainda há muito tempo pela frente, ou seja, muita coisa pode acontecer, enquanto o combate à corrupção conseguir fazer frente aos ataques dos detentores de poderes públicos e privados. E, nos tempos conturbados que marcam a política brasileira, as mudanças ocorrem com a velocidade de ciclones.  Dizer quem irá subir a rampa do Palácio do Planalto no dia 1. de janeiro de 2019 é, por enquanto, exercício de adivinhação a que não me atrevo. A todos os que me deram o privilégio de lerem estas linhas os meus votos de uma boa semana.

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