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Mais do mesmo na corrida ao Planalto


Dentro de duas semanas, deveremos conhecer o posicionamento dos  21 partidos brasileiros na corrida às eleições presidenciais de outubro. O que se antevê, não parece trazer surpresas. Partidos de centro-direita tomaram a dianteira, juntando forças em torno da candidatura de Alckmin, do PSDB, ex- governador de São Paulo durante mais de oito anos.


Já os partidos que, com alguma boa vontade, se podem  colocar no campo da centro-esquerda, talvez um pouco menos pragmáticos ou com alguns pudores programáticos, evidenciam dificuldades em dar algum ímpeto a um candidato, Ciro Gomes, de perfil marcado pela imprevisibilidade e de discurso muitas vezes destemperado.

Há ainda uma candidata, Marina Silva, ex-senadora, ex-ministra de Lula, líder do partido Rede, uma das poucas figuras não atingida por suspeitas ou denúncias de corrupção, que surge em terceiro lugar nas pesquisas de opinião divulgadas até o momento, depois de Lula – a cumprir condenação por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro -, cuja inelegibilidade deverá ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, à luz da lei da Ficha Limpa, e de Bolsonaro, um deputado federal, ex-capitão do Exército, que se tornou conhecido pelas posições direitistas, politicamente reacionárias, com frequentes manifestações de preconceitos vários.

Marina obteve, nas últimas eleições presidenciais, em 2014, que disputou com Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), entre outros, cerca de 20 milhões de votos. Um capital invejável, mas que é difícil estimar em que medida irá impulsionar a campanha da política de uma esquerda não radical, numa conjuntura de crise institucional, econômica e social que se arrasta há mais de seis anos e sem fim à vista.

Depois das eleições de 2014, Marina Silva parece ter optado por um quase silêncio, deixando à  deriva os milhões de votantes que nela apostaram no anterior pleito eleitoral. Estratégia eleitoral ou incapacidade é ainda uma incógnita.

Por enquanto, o que se vislumbra, no atual quadro político, é que dificilmente as eleições conseguirão superar as crises., independentemente de quem saia vitorioso do segundo turno, também em outubro.

Apesar da corajosa luta contra a corrupção, realmente endêmica, que macula praticamente todas as estruturas de poder, o que continuamos a assistir é à persistência da velha política. Parlamentares dos diversos quadrantes continuam a agir politicamente como acontece no Brasil há muitas décadas. Uma prática construída em cima de conchavos, de chantagens, de sectarismos, de corrupção e de decisões à margem dos cidadãos, frequentemente tomadas pela calada da madrugada, em acordos e alianças espúrias, movidas por interesses particulares em detrimento do interesse público.

Na realidade, a longa luta contra a corrupção, com iniludível apoio nacional, é esnobada pelos políticos da velha e “nova” guarda, que mantêm as rédeas dos poderes. Cada vez mais cresce na opinião pública a ideia de que o caminho para superar o atraso estrutural, as desigualdades sociais profundas, o desemprego e uma praxis política perversa passa por amplas reformas democráticas, entre elas a do sistema presidencialista e partidário vigente que, como tem sido evidente, gera instabilidade e afasta os cidadãos da participação na vida pública.

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