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Veja o próximo episódio da telenovela “O Salvador da Pátria”

Lula é ou não é candidato a presidente? Lula pode ou não pode ser candidato? E, mesmo que possa ser candidato, poderá ser presidente da República? Até ao momento ainda não li nem ouvi afirmar, a quem quer que seja, com conhecimento de causa, que, se eleito, o ex-presidente poderá sair da prisão para despachar no Palácio do Planalto decretos, leis, anistias, indultos e por aí fora…Os presidentes, por dever de ofício, têm sempre muito que assinar.


Enfim, não creio que tal venha a acontecer. Mas, pelos episódios a que todos temos assistido, convém que estejamos preparados psicologicamente para todas as possibilidades. E mesmo que, por obra e graça do surrealismo brasileiro, Lula viesse a disputar a eleição, também não acredito que saísse vencedor.

Há coisa de uma semana, os dirigentes do PT anunciaram uma mobilização nacional para realizar em Brasília uma grande concentração nacional de apoio à candidatura de Lula. Estiveram concentrados frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre dez mil,  estimativa  da Polícia Militar,  e vinte mil manifestantes, segundo cálculos de petistas mais ardorosos,  na sua maioria integrantes do Movimento dos Sem Terra. Poucos, muito poucos, para uma mobilização nacional de um partido que esteve no poder cerca de quatorze anos. E que não foi avaro na criação e manutenção de uma clientela de muitos e muitos milhares de apoiadores.

Catapultado a  santo milagreiro por gente de fé, que procurou no PT, há três ou quatro décadas a sombra acolhedora outrora negada pelo Vaticano ultra-conservador aos seus fieis mais sensíveis às grandes causas da humanidade, de todos os tempos, Lula provavelmente terá a sua pretensão rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mas, enquanto os juízes brasileiros se atropelam no cumprimento de ritos, mais ou menos esdrúxulos, até chegarem a uma decisão, o candidato a candidato ao Palácio do Planalto, da confortável sala onde dorme, se alimenta e confabula com correlegionários, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, vai arquitetando planos e mais planos para se manter sob os holofotes da mídia.

Inviabilizada por força da lei e da opinião pública a pretensão de voltar a fazer comícios, Lula procurará fazer chegar as suas mensagens pela voz do delfim Haddad, promovido de candidato a vice a candidato a presidente do Brasil. Uma espécie de procurador de Lula. Um “procurador” no qual o ex-presidente antevê a possibilidade de pôr fim à ignomínia da sua prisão, o fim da condenação por corrupção. Enfim, a liberdade plena para novas aventuras políticas, caudilhescas, capazes de atrair os avessos à lentidão dos processos transformadores, revolucionários, sustentáveis.

Com Lula ou sem Lula, ou melhor, com o ex-presidente ao vivo e a cores ou com um candidato ventríloquo, é pouco provável que o PT – partido no qual milhões de brasileiros depositaram, há duas décadas, esperanças de construção de um Brasil mais próspero, menos desigual e progressista – consiga impedir o esvaziamento de um projeto que foi criminosamente destruído pelos seus próprios líderes.

Dificilmente as eleições gerais que terão lugar no dia 7 de outubro permitirão dar um novo impulso de desenvolvimento à economia do país, dificilmente conseguirão melhorar significativamente a vida dos mais de quarenta milhões de brasileiros que estão desempregados ou que sobrevivem de pequenos trabalhos ocasionais.

A percepção generalizada é que, apesar da Lava Jato, que tem vindo a combater, com muito esforço e algum êxito, grupos de políticos e empresários especializados em crimes de colarinho branco, o quadro político do país não mudará nas eleições de outubro.

A Câmara dos Deputados, o Senado, a Presidência da República, e o os tribunais superiores continuarão a exercer os seus poderes com o clientelismo político tradicional, com o nepotismo conhecido, com a prática de corrupção endêmica que, desde há muito, se apoderou do Estado brasileiro e espalhou os seus tentáculos a muitos setores da sociedade.

Dos treze candidatos ao Planalto, sobram os dedos de uma mão para contar os que nada têm a ajustar com a Justiça. E dos que são “ficha limpa” poucos terão possibilidade de passar à segunda etapa das eleições. Assim sendo, tudo indica que a crise ainda terá um longo caminho pela frente, até que as forças democráticas e progressistas sejam capazes de restabelecer ou construir novas raízes populares, longe do populismo direitista ou daquele que, nos últimos anos, sob máscara esquerdista, conforme os momentos e apetitas imediatos dos seus chefes, conduziram o país à desesperança e ao colapso político e econômico.

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Escrito por: África 21 Digital

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