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Uma democracia em apuros

O Brasil começa a semana em compasso de espera. No próximo domingo, 7 de outubro, mais de 140 milhões de brasileiros poderão depositar os seus votos nas eleições gerais que decorrerão em todo o país para a Presidência da República, Câmara de Deputados, Senado, governadores estaduais e assembleias legislativas dos estados. A expectativa maior é saber quem serão os dois mais votados, que irão disputar o gabinete presidencial no Palácio do Planalto, em segundo turno, a 28 de outubro.

O reacionário Bolsonaro será mesmo o preferido dos eleitores, como indicam as pesquisas? O “lulista” Haddad, catapultado a delfim do caudilho petista, irá disputar o segundo turno, como apontam as sondagens publicadas? Ou será o progressista mas intempestivo Ciro Gomes?

De todas as pesquisas de opinião divulgadas até o momento sobre as intenções de voto nos 13 candidatos parece haver uma única certeza: a de que os eleitores brasileiros serão chamados de novo a fazer as suas escolhas no dia 28 de outubro, em segundo turno, para eleger o próximo presidente da República.

O debate realizado na noite de domingo na TV Record, com a participação dos vários candidatos ao Palácio do Planalto, refletiu a bipolarização, protagonizada pelo candidato Jair Bolsonaro – figura que representa os setores mais conservadores e politicamente reacionários da sociedade brasileira e também amplas camadas da população que elegeram o “petismo” como o grande inimigo, graças à roubalheira e “desvarios” de governação cometidos durante os mandatos de Lula e Dilma – e por Fernando Haddad, um fiel seguidor de Lula, que surge como um representante do caudilho preso por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Bolsonaro, que convalesce do esfaqueamento de que foi vítima durante um evento de campanha em Juiz de Fora, foi o grande ausente do debate na TV Record, mas também o grande presente. Ele esteve na mira dos participantes. Líder nas pesquisas, embora com vantagem que se tem vindo a estreitar, face a Haddad, na segunda posição, e a Ciro Gomes, o terceiro nas intenções de voto,  Bolsonaro é visto, e por todas as razões, como uma ameaça real à democracia.

Haddad, por outro lado, dando corpo e voz à bipolarização construída por Lula de dentro da prisão, caso as urnas venham a confirmar no primeiro turno vantagem para Bolsonaro – há quem coloque em questão a fiabilidade das pesquisas –, terá pela frente a difícil tarefa de procurar persuadir milhões de brasileiros, que não votam “em circunstância alguma” em Bolsonaro, a depositarem nas urnas um voto anti-bolsonaro, uma espécie de “cheque em branco”.

Enquanto isso, Ciro Gomes, que desenvolve um discurso de centro-esquerda, como, aliás, o delfim de Lula, tem os próximos dias para tentar ainda reverter o favoritismo de Bolsonaro e Haddad.

No segundo turno, caso os protagonistas venham a ser  Bolsonaro e Haddad a situação é de empate técnico; já se a disputa for entre Bolsonaro e Ciro, haverá vitória com alguma folga do candidato progressista. É que a rejeição a Haddad, segundo as pesquisas de intenção de voto, é superior à de Ciro Gomes.,

Uma coisa parece certa: a crise política, econômica e institucional que se instalou desde há vários anos no país continua sem fim à vista. Com o sistema presidencialista vigente no Brasil a democracia estará sempre em apuros.

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