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O Brasil perdeu a graça?

 

Não dá mais para esconder nem para disfarçar – a ameaça é real. Com o beneplácito condescendente das elites e boa parte dos media tradicionais, o Brasil está à beira de colocar um fascista no Planalto.


Eu sei, de tanto usada, a palavra está gasta, perdeu o impacto e  recorrer a ela pode até ser contraproducente, suscitando mais alergia do que despertando o alerta urgente.

Eu sei, os tempos são outros e a  vaga de fundo antidemocrática a que assistimos um pouco por todo o mundo tem razões que a razão desconhece e muitos querem ignorar – a corrupção, o descaso com os interesses do povo comum e a continuada pauperização das classes médias.

Sim, o PT de Lula da Silva, ao embarcar em grande escala no tradicional jogo da corrupção, não só traiu os seus próprios ideais de dezenas de anos de luta, como minou o amplo apoio de que desfrutava junto das camadas urbanas do país, deixando agora espaço aberto para o perigoso avanço das forças mais retrógradas.

O desencanto que – com a ajuda da Lava Jato –  o PT provocou no país inteiro reduziu drasticamente o seu apelo e o seu apoio. Foi de tal ordem que fez confluir  numa única corrente a natural rejeição dos mais ricos e poderosos com o descontentamento das classes médias, criando uma verdadeira fronda contra ele e tudo o que com ele se relacione. O problema é que esse tsunami pode arrastar tudo o resto na sua frente.

Mas o PT não é o único responsável. O PSDB de Fernando Henrique Cardoso, ao não aceitar de facto a reeleição de Dilma, em 2014, e ao aliar-se às forças mais conservadores para afastar – antes do tempo e fora do processo eleitoral  – os petistas do poder,  através de um processo de impugnação de duvidoso fundamento, criou condições para aquilo a que estamos a assistir agora.

FHC disse que tudo isso não passava de uma “pinguela” – uma pequena ponte levadiça sobre um precipício, uma travessia provisória rumo à outra margem – onde haveria um outro jogo, mais limpo e promissor – um futuro em que os sociais democratas e os moderados dariam o tom, afastando o populismo.

Enganou-se redondamente – do outro lado da pinguela havia um monstro e agora não tem mais retorno: se fugir, o bicho pega, se ficar, o bicho come.

Nestas condições, por mais contraditório que isso  possa parecer e por mais que lhes custe, as forças democráticas e liberais do país não têm outra alternativa que não seja juntar  esforços para evitar o pior.

Se a eleição, como espero, for para o segundo turno, os estados-maiores das outras candidaturas – do PT à direita – ficam obrigados, em nome do interesse nacional, a estabelecer um pacto.  Uma base de entendimento mínima, que evite a radicalização e promova o consenso,  garantindo a estabilidade de que o país precisa para crescer e – the last but not the least – salve a democracia, .

Eu sei, entre Haddad e Bolsonaro, muitos acham que venha o diabo e escolha.  Mas a sabedoria universal ensina que mais vale um diabo conhecido do que um “anjo” desconhecido.

Nas presentes condições, por mais paradoxal que isso se afigure,  não vejo outra alternativa que não seja Haddad transformar-se no Macron do Brasil, mesmo que para isso tenha que contrariar a maior parte do PT.

Não que ele o seja verdadeiramente, mas porque os outros que poderiam ter esse papel – de Geraldo Alckmin a Marina Silva, passando por Ciro Gomes – tudo indica vão estar fora da jogada.

Essa é a  “missão impossível” necessária  para que o Brasil, definitivamente, não perca a graça.

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