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Pela democracia

Os dados estão lançados. Os mais de 140 milhões de eleitores brasileiros irão decidir dentro de três semanas, em segundo turno da eleição presidencial, quem irá subir a rampa do Palácio do Planalto, no dia 1. de janeiro de 2019, para um mandato de quatro anos. Os eleitores são chamados a escolher entre Bolsonaro e Haddad. Entre um capitão reacionário, com discurso de extrema-direita,  e um professor escolhido para ser o candidato de um partido que pretende ter a hegemonia da esquerda mas que não conseguiu, até hoje, distanciar-se dos crimes de corrupção em que se envolveram muitos dos seus principais dirigentes.


Independentemente do vencedor da disputa, o próximo presidente do Brasil certamente terá pela frente um mandato atribulado, num país em que a crise política, econômica e institucional deverá perdurar. Mas, mesmo assim, a escolha entre um ou outro terá consequências diversas.

De um lado está Bolsonaro, o candidato do PSL – um pequeno partido até há poucos meses quase desconhecido no cenário político do país -, homem com quase três décadas de atividade parlamentar, que só se tornou conhecida nos tempos mais recentes, não pelos projetos legislativos em que o deputado federal tenha tido alguma intervenção significativa, mas pelos discursos superficiais, de retórica reacionária e de elogios a torturadores e à ditadura dos generais.

Um antigo capitão que escolheu, ou alguém o levou a escolher, para seu candidato a vice-presidente um general cujas intervenções públicas se destacam pelo preconceito e estreiteza de horizontes.

De Bolsonaro, o que se pode esperar não é bom. As escolhas que fez para a equipa de campanha já deixam antever o que poderá ser um eventual governo do ex-capitão secundado por um general. Bolsonaro elegeu como guru para assuntos de economia Paulo Guedes, um profissional saído nos anos setenta do século passado da escola de Chicago (EUA). Quando Pinochet impôs a sua ditadura de caserna a milhões de chilenos, Guedes foi convidado e aceitou o convite para viajar para Santiago onde deu aulas de economia, por dez mil dólares mensais.

Do outro lado na  corrida ao Planalto estará Fernando Haddad, um professor da Universidade de São Paulo, licenciado em direito, com mestrado em economia e doutorado em filosofia. Ligado ao PT há duas décadas, esteve por dentro dos governos de Lula e Dilma, de quem foi ministro da Educação.

Depois de um mandato como prefeito de São Paulo, lugar para o qual não se conseguiu reeleger, Haddad foi catapultado pelo grupo que assumiu a condução do PT a candidato presidencial. Um candidato que aceitou um papel pouco comum: uma espécie de ventríloquo do ex-presidente Lula, impedido de ser candidato por condenação a 12 anos e um mês de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Os resultados deste domingo revelam não a real influência política dos dois candidatos mais votados, mas a rejeição do eleitorado ao reacionarismo de Bolsonaro, por um lado, e, por outro, aos desmandos cometidos por Lula e Dilma quando ocuparam o gabinete presidencial.

Desmandos e crimes em relação aos quais o grupo que comanda o PT e o candidato Haddad não souberam ou não quiseram distanciar-se. Nem uma palavra de autocrítica durante as muitas oportunidades que teve ao longo da campanha.

Agora, com os olhos postos na disputa decisiva, se a quiser realmente enfrentar,  Haddad, com a bênção de Lula, é claro, terá de fazer o que não fez até agora,  ou seja, admitir que a hegemonia petista na esquerda brasileira já é coisa do passado. E estabelecer pontes de diálogo e compromissos com outras formações políticas numa área abrangente de centro-esquerda.

Só uma ampla aliança democrática conseguirá travar a dinâmica  do candidato de extrema-direita que, se eleito, poderá lançar o país numa dramática aventura, de instabilidade política, econômica, social e institucional.

Ao “petismo”, responsável pela abertura das portas à direita troglodita, cabe agora decidir se se liberta das concepções caudilhistas protagonizadas por Lula,  contribuindo, juntamente com todas as forças progressistas e democráticas, para travar o “bolsonarismo”, ou se se lança num processo de fuga em frente e de inevitável fragmentação e autodestruição.

A escolha do candidato de Lula não é seguramente a melhor para a construção de um Brasil mais democrático e progressista, mas, na conjuntura atual, pode ser a possível para barrar o caminho a uma direita fascizante, que desviaria o país para veredas de retrocesso e de insegurança.

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