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Na reta final para o segundo turno, no próximo domingo, 28,  as eleições presidenciais no Brasil parecem estar decididas. Os petistas mais otimistas querem ainda acreditar na possibilidade de uma reviravolta, como que um repentino despertar de uma consciência coletiva para os perigos iminentes. Não apenas os petistas.


Na verdade, tal esperança talvez seja um sentimento comum a todos os democratas progressistas, inclusive aos que, ainda que conscientes das responsabilidades iniludíveis da cúpula do PT, dos seus desmandos e mesmo dos seus crimes, têm presente que a eleição de Bolsonaro não será apenas mais uma alternância, tantas vezes saudável num regime democrático, mas sim uma antecâmara de contornos autoritários que ameaça a democracia brasileira.

No entanto, essa possibilidade de um acordar coletivo parece estar mais comprometida cada dia que passa.

Haddad não quis romper, quando ainda poderia ter alguma eficácia política, com a triste herança de Lula. E quando, há poucos dias, começou, aparentemente, a  esboçar uma tentativa, sincera ou não, de distanciamento do caudilho preso, não conseguiu torná-la credível.

Possivelmente tarde demais para milhões de brasileiros acreditarem em Haddad, encantados, entretanto, com as promessas de paz podre e segurança propagandeadas por Bolsonaro e seu grupo. Milhões de eleitores, dando crédito às pesquisas de intenção de voto, estão  movidos pelo desejo de penalizar os erros e os desmandos petistas.

De todos os candidatos, do campo democrático, que disputaram o primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, o escolhido por Lula era, claramente, o pior posicionado para enfrentar a onda de populismo direitista liderada por Bolsonaro.

Todas as pesquisas de opinião o mostravam. E, mesmo assim, os donos dos cofres do PT insistiram em levar por diante uma candidatura própria, de um partido que não foi capaz, até hoje, de afastar os dirigentes envolvidos nos grandes esquemas de corrupção. O resultado está à vista.

Tudo indica estarem enganados os que ainda pensam que as consequências de uma eventual derrota de Haddad nas urnas penalizarão apenas o candidato ou seu partido. Elas afetarão a essência da própria democracia, muito além dos limites ideológicos de correntes de esquerda ou de centro-esquerda, ou mesmo da direita que joga o jogo da democracia.

O Brasil está a uma semana de decidir se privilegia uma democracia, ainda que fragilizada por graves erros de governação, recorrentes desde há muitos e muitos anos, ou se abre a rampa do Palácio do Planalto a um candidato cujos discursos, declarações e entrevistas revelam uma assustadora estreiteza de horizontes e uma visão abertamente reacionária do país e do seu futuro imediato. Para muitos, que não querem ver Bolsonaro no Planalto e rejeitam, por outro lado, a candidatura de Haddad, a abstenção ou o voto nulo parecem ser as alternativas possíveis. Serão votos de protesto contra um sistema presidencialista falido.

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Escrito por: África 21 Digital

Último Comentário

  • Ainda é muito cedo para se afirmar que o sistema presidencialista do Brasil é falido.

    Olhando o passado recente de meu país, temos a certeza de que ele passou por provas de fogo fortíssimas, e não foi preciso adotar parlamentarismo (ou semi-presidencialismo) nenhum para superá-las.

    Na verdade o sistema presidencialista do Brasil deve servir de exemplo, porque se trata de um país continental, heterogêneo, onde pobreza e riqueza se contrastam de modo absurdo, mas nem por isto nos entregamos à anarquia, à secessão.

    Nosso presidencialismo nos dá as respostas certas, de que precisamos, para continuarmos buscando, com ordem, nosso almejado progresso.

    O que está por vir (a vitória do Jair Messias Bolsonaro) é, como admitido por V. S.as, a resposta à altura à ideologia nefasta do Partido dos Trabalhadrões, que esteve no poder por treze anos consecutivos e causou prejuízo de milhões/bilhões de reais ao nosso país.

    Acho natural que o radicalismo da esquerda se combata com radicalismo de direita.

    É (ou não) um modo de se chegar ao meio termo?

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