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Igreja católica na RD do Congo contesta anunciada vitória de Tshisekedi

A Conferência Episcopal Nacional da República Democrática do Congo (CENCO) contesta a anunciada vitória do líder oposicionista Félix Tshisekedi nas eleições presidenciais de 30 de dezembro de 2018.


África 21 Digital com Angop

Foto: Força da ONU no Kasai

“A partir da análise dos elementos observados por esta missão, decidimos que os resultados da eleição presidencial publicados pela CENI (Comissão Eleitoral) não correspondem aos dados compilados pela nossa missão de observação nos centros de votação e apuração”, declararam os bispos católicos.

A Igreja Católica contou com a maior missão de observação neste pleito, com mais de 40 mil observadores espalhados por todo o país, que finalmente aconteceu após dois anos de atraso e adiamentos contínuos.

Em comunicado, os líderes eclesiásticos afirmaram que a sua contagem de votos dava como vencedor um candidato diferente, mas não especificaram a sua identidade. Na semana passada, a CENCO já tinha advertido à CENI que publicasse os resultados “de acordo com a verdade e a justiça”, pois já sabia quem seria o vencedor.

De acordo com fontes diplomáticas citadas pela imprensa local, o candidato vencedor destas eleições, segundo a CENCO, seria o opositor Martin Fayulu, líder da coligação Lamuka (“Desperta”, em idioma lingala).

A Igreja também pediu à todas as partes envolvidas “maturidade e que não recorram à violência”, e sugeriu que os mesmos façam uso dos meios legais, de acordo com a Constituição e com a legislação eleitoral, caso desejem “denunciar esses resultados”.

Segundo os resultados provisórios divulgados pela CENI, Tshisekedi obteve 38,57 porcento dos votos, seguido de Faluyu (34,86%) e do governista e pupilo do presidente em fim de mandato Joseph Kabila, Emmanuel Shadary, com 23,84.

Por sua vez, o governo francês também mostrou-se hoje insatisfeito com a vitória de Tshisekedi, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, que exigiu “esclarecimentos” e fez pedidos de calma.

A partir de hoje, os candidatos e partidos terão três dias para recorrer dos resultados provisórias no Tribunal Constitucional, que, por sua vez, terá mais uma semana para proclamar os resultados definitivos.

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Escrito por: África 21 Digital

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