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A crise de Rio


A frágil liderança de Rio, distante da coesa presidência de Passos Coelho nos tempos da troika, não explodirá. O PSD implodirá, sem danos de maior no exterior, deixando apenas os sociais democratas nos cuidados intensivos por tempo indeterminado.


Rui Rio completou um ano de liderança do PSD com tudo menos razões para celebrar. A posição do maior partido da oposição nas sondagens é fraca, e em ano de eleições europeias e legislativas vê o seu cargo disputado por Luís Montenegro, ex-líder parlamentar do partido, que tentará em poucos meses replicar o que António Costa fez há quatro anos, quando, no Partido Socialista, tomou a liderança de um desgastado António José Seguro, a escassos meses das eleições.

Mas o trabalho de Montenegro é mais duro. Se Costa tomava um PS em ascensão, na ressaca de um país fustigado por quatro anos de austeridade, no PSD de hoje não há uma conjuntura evidente que favoreça a mudança de cores em São Bento: a economia cresce, o desemprego está em níveis historicamente baixos, o turismo fervilha, o mercado funciona.

Aqui e ali, alguns sinais apontam as dores de crescimento da solução inédita que Costa logrou em 2015, numa aliança surpreendentemente funcional com os partidos à esquerda. Há greves. Há serviços públicos com falhas. As dívidas hospitalares voltaram a derrapar. E há promessas de mundos e fundos no investimento do Estado e nas obras públicas que fazem lembrar o pior da governação despesista de Sócrates.

Mas serão esses sinais suficientes para permitir ao PSD recuperar da dormência que se instalou entre os sociais-democratas a partir de 2015? Rui Rio revela enormes dificuldades em afirmar-se como alternativa credível para o país. Porque não quer dialogar, porque mantém uma postura arrogante com a imprensa que o escrutina, porque insiste em liderar o seu partido fechado na mesma bolha com que governou, aí com sucesso, a Câmara Municipal do Porto.

Portugal não é uma autarquia. Rio tem ainda um capital de popularidade superior ao do agora candidato Montenegro. Mas os 25% de intenções de voto do PSD, a 15 pontos percentuais do PS, são um indicador preocupante. A recém-nascida Aliança, o movimento do mediático Pedro Santana Lopes, soma 4%, um resultado meritório para o curto tempo de vida e os contornos deste novo partido.

À direita, outras iniciativas de descontentamento vão testando nomes, partidos, movimentos, siglas, mensagens nas redes sociais, discursos e conferências. Uma diversidade salutar em democracia, que é, simultaneamente, tudo aquilo de que o PSD não precisava hoje, a poucos meses das eleições. Uma fragmentação do espectro político do centro-direita que António Costa agradece. Os socialistas poderão nem ganhar com maioria absoluta. Mas terão a vida tremendamente facilitada para conquistar, em breve, mais quatro anos de governação de esquerda em Portugal.

A frágil liderança de Rio, distante da coesa presidência de Passos Coelho nos tempos da troika, não explodirá. O PSD implodirá, sem danos de maior no exterior, deixando apenas os sociais democratas nos cuidados intensivos por tempo indeterminado. E nem o mais popular dos sociais-democratas poderá sanar a crise em que o partido mergulhou: Marcelo Rebelo de Sousa continuará, omnipresente, mediático e afetuoso, ao comando do Palácio de Belém, tão perto de mais uma presidência, tão longe do seu PSD.

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Escrito por: África 21 Digital

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