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Um Inhotim para as vítimas da Vale

O que vou propor aqui agora vai parecer heresia para alguns e delírio para outros, mas estou acompanhando as imagens das operações de recuperação de corpos em Brumadinho e não gostando nada de ver retroescavadeiras revirando a lama.


Elas despedaçam os corpos e os helicópteros levantam sacolas com restos parciais das vítimas para o IML tentar montar um quebra-cabeças humano. Um trabalho macabro e insano como a recuperação de pedaços das vítimas das torres gêmeas, espalhados por um quilômetro quadrado de Nova York.

Isso pode levar meses de angústia para as famílias e mesmo assim jamais todos serão encontrados, porque 12 milhões de toneladas de terra não são coisa fácil de retirar. Dói admitir, principalmente para as famílias, mas as vítimas já estão sepultadas. É preciso deixá-las descansar em paz.

Em vez de escavar e perturbar a paz dos mortos, deveriam preparar o terreno como um parque, plantar grama e muitas flores e transformá-lo num cemitério-jardim com um belo memorial de granito contendo os nomes em metal de todas as vítimas do massacre perpetrado pela Vale, mesmo aquelas cujos corpos foram resgatados.

Pensem num lugar que fosse tão bonito quanto o Inhotim, talvez até mesmo integrado a este, onde as viúvas, os órfãos, os irmãos e os primos pudessem se sentar à sombra das árvores entre os canteiros e lembrar de seus entes queridos que perderam devido à estúpida ganância da mineradora. Da mesma forma exigir que a Vale, ao descomissionar as outras barragens, gaste uma migalha de seus lucros para transforma-las em locais de lazer, de descanso e meditação.

Márcio Metzker é jornalista e vive em Belo Horizonte, Brasil

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Escrito por: África 21 Digital

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